É grave o problema de aprendizado dos alunos de cursos de pós-graduação em gestão oferecidos no Brasil.

Participei, em novembro, do Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Administração, reunião científica que reúne professores e pesquisadores de todo o Brasil. São especialistas na questão da educação na área de administração.

Estávamos em uma conversa quando surgiu o tema da educação executiva. Os professores que ensinam nesse tipo de curso relatam histórias preocupantes sobre os rumos da educação no país. Os meus colegas contam que alunos de cursos de gestão praticamente não leem nada e possuem muita dificuldade para se expressar por escrito.

Atualmente, a grande maioria da educação executiva praticada no Brasil considera que a aprendizagem ocorre apenas em sala de aula. A classe é somente um dos componentes para aprendizagem. É fundamental que alunos leiam, estudem em casa e se preparem para os cursos.

A assimilação de conhecimento não se dá em algumas horas de convívio com outros alunos, mas na silenciosa atividade de pensamento, reflexão e leitura. Esquecemos que para aprender é preciso estar com a mente descansada. O problema começa quando os alunos da educação executiva estudam enquanto também trabalham.

Com isso, realizam seus cursos no período da noite ou nos fins de semana, em geral, depois do serviço. Após terminar o curso tarde da noite, precisam acordar cedo no próximo dia para encarar outro dia difícil de trabalho. Não por acaso, os principais e melhores MBAs no exterior são feitos em regime de tempo integral e os alunos não podem trabalhar enquanto durar o curso.

No Brasil, existe uma cultura de valorizar muito a prática e pouco o ensino. Percebemos um movimento parecido nos cursos de graduação. Parte significativa dos cursos de bacharelado no Brasil é noturna. A grande massa dos estudantes de graduação também trabalha e enfrenta sérias dificuldades para estudar o que seria necessário para ter uma formação minimamente adequada ao mercado de trabalho.

Não faltam estudos que mostram as deficiências de qualificação e habilidades da mão de obra brasileira. Vivemos um paradoxo: por um lado precisamos de mais pessoas com qualificação nas empresas, por outro, a vasta maioria dos cursos de graduação e pós-graduação no país é de qualidade bastante baixa.

Essencialmente pelo fato de que os alunos não têm tempo para estudar. Precisamos de menos tempo em sala de aula e mais tempo para aprendizagem.

Por Rafael Alcadipani

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