Começo este artigo com uma pequena reflexão: Tenho um amigo que trabalha há anos em uma grande empresa. Como muitas pessoas que conheço, ele gostaria de montar seu próprio negócio e conquistar a tão sonhada independência financeira. Até aí, nada demais. O que me chamou a atenção e me motivou a escrever foi a preocupação que ele demonstrou sobre a necessidade de ‘inovação na pequena empresa’.

Inovação deriva do verbo “inovar”, que denota “promover mudanças significativas”. No contexto empresarial, usamos esta palavra geralmente com uma conotação positiva. Inovar um produto ou serviço é sinônimo de melhorá-lo, de reinventá-lo, de ser e fazer a diferença. O que se espera deste tipo de iniciativa é que os resultados apareçam e que sejam, de preferência, positivos. Dito isto, pergunto a você: se em um primeiro momento, quando se fala de inovação, ficamos tentados; se é tão bom imaginar-se inovador; se é melhor ainda imaginar o sucesso de ser precursor em qualquer coisa, de ser reconhecido por isso e ainda ter resultados excelentes… Por que na prática são tão poucos os produtos e serviços que se destacam e merecem ser considerados inovadores?

Talvez minha resposta o desagrade (e você nem precisa concordar comigo). Quero apenas que pense a respeito: essa dificuldade toda de colocar em prática produtos e serviços inovadores não é falta de boas ideias ou de criatividade. Muito pelo contrário! Estes atributos nós temos de sobra, o que nos falta realmente é ousadia. Sim! Para inovar é preciso: ser ousado; ser arrojado; correr o risco de tentar e não conseguir; principalmente, ter a determinação de continuar tentando; não abandonar o projeto assim que surgirem os primeiros obstáculos, e garanto a você que eles surgirão.

Ressalto também que há uma grande diferença entre ser ousado e ser irresponsável. “Correr o risco” não deve significar perder tudo, afundar seu negócio, porque concentrou todos os esforços em uma oportunidade que acreditava ser única e não deu certo. Quando a empresa (principalmente a pequena) está consolidada em seu ramo de atuação, tende a acomodar, a entrar em uma “zona de conforto”. Este estado torna-se perigoso quando a concorrência começa a ser desprezada, quando os produtos e serviços evoluem e não são acompanhados, quando a necessidade dos clientes passa a ser maior, às vezes passa até a ser outra e não se percebe. Estes são apenas alguns dos muitos indícios da “acomodação” a que me refiro.

Infelizmente, o que normalmente acontece é que quando estes “sintomas” são percebidos a situação já está preocupante: o faturamento já despencou, a carteira de clientes já não é a mesma, a concorrência também não… A única coisa que permanece igual é a empresa “fictícia” de nosso exemplo.

Não é difícil prever a próxima etapa: bateu o desespero e começa a busca “frenética” por mudanças. Alguém levanta a bandeira da “inovação” e a empresa tenta reverter em um curto espaço de tempo, toda a defasagem e prejuízo que acumulou. Normalmente o resultado é desastroso: a “lição de casa não foi feita”, nossa empresa “fictícia” não estava preparada, seus profissionais estavam defasados, seus clientes não conseguiram enxergar o valor do novo produto ou serviço; afinal, não estava à altura do que a concorrência oferecia, não tinha um preço competitivo, tampouco a mesma qualidade.

Neste momento, vejo apenas dois cenários:

1 – Aceitar a realidade e dar um ou dois passos para trás. Ou seja, recuar mesmo, enxugar as despesas, negociar com os fornecedores, atender demandas menores, atualizar-se no segmento que tem experiência, usar a tradição a seu favor e muitas outras medidas que podemos discutir em outra oportunidade;

2 – Não aceitar a realidade. Encontrar pelo menos uma dúzia de culpados para esta situação “injusta” (governo, funcionários incompetentes, concorrentes desleais, forças espirituais ocultas (risos) etc.) e permanecer tentando soluções milagrosas. A consequência desta atitude é uma só: falência.

Por isso, reforço que “inovar” não pode ser sinônimo de irresponsabilidade. Neste exemplo “fictício” que mencionei, houve apenas uma tentativa desesperada e imprópria.

A inovação deve vir justamente quando a empresa está bem, com saúde financeira, quando se encontra naquela “zona de conforto”. Neste momento, temos, sim, uma empresa (seja ela pequena ou não) competente que está agindo de acordo com a necessidade de seus clientes. É justamente neste momento que a “resistência” a ideias novas tem que ser vencida. Este é o momento mais propício para se inovar, para se arriscar em um novo projeto, em um novo segmento, ou mesmo, para lançar produtos melhores, exclusivos. A empresa tem tempo para se preparar, tem margem para suportar erros, afinal de contas, não está comprometida e não irá deixar de atender às suas demandas tradicionais.

O interessante é que na pequena empresa, trata-se inicialmente muito mais de uma questão emocional (dos proprietários), do que técnica. O crescimento sustentável de qualquer organização acontece de maneira estruturada, ou seja, é preciso profissionalizar a estrutura, investir na qualificação da mão-de-obra e na infraestrutura. É preciso descentralizar as decisões e explorar os talentos da equipe. Lembre: uma empresa só evolui quando seu capital humano evolui também. Reflita…

Por Reinaldo Silvestre da Silva Júnior / Empresa ZAP Trade.

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