Não seja do contra. Mudança, mudança, mudança. Falar que estamos em plena era das mudanças virou um clichê do qual ninguém consegue escapar. Por via das dúvidas, convém ficar esperto: há sempre alguma mudança por perto, e quem cochila pode ser atropelado.

Para refletir sobre o comportamento pessoal em relação à mudança, nada melhor do que recorrer aos ensinamentos de alguém que – ironia – há mais de 25 anos não muda de atividade. É o caso do americano Price Pritchett, fundador e presidente de uma consultoria que desde 1974 se dedica a ajudar empresas a promover transformações internas. A experiência de Pritchett e de Ron Pound, um de seus parceiros na Pritchett & Associates, sediada em Dallas, no Texas, está sintetizada num manual intitulado Livro de Cabeceira do Funcionário para Mudanças Organizacionais. O livreto tem uma versão brasileira, adaptada pela Pieracciani, uma consultoria de gestão paulista, associada à Pritchett. O quadro ao lado, elaborado com base no manual, confronta algumas ideias falsas e o que acontece de fato nas situações de mudança. Dele é possível extrair conclusões sobre a questão mais espinhosa das mudanças – a atitude de resistência a elas.

Mito

  1.  Isso vai passar. É só uma questão de tempo. Eu vou ficar quieto no meu canto e esperar que acabe.
  2. Se eu ficar irritado, vai ajudar. Essa eu não vou engolir – não sem brigar.
  3. Isso não é bom para a minha carreira. Todo mundo leva pau, de algum jeito, numa situação como essa.
  4. Eu posso continuar fazendo o meu trabalho como sempre fiz. Temos trabalhado desse jeito há anos e parece que tem funcionado.
  5. Esses problemas comprovam que as mudanças são ruins para a organização. Parece que a diretoria está perdendo o controle. Eu acho que eles vão destruir esse lugar.
  6. Os diretores sabem muito mais do que estão contando. Eles já planejaram todos os detalhes… só que não querem nos contar.
  7. A diretoria não se importa com a gente. Eles são insensíveis e perderam o contato com o resto da organização.
  8. Na minha posição, não há nada que eu possa fazer. Não fui eu quem inventou essas mudanças todas. Não sou em quem tem de fazer que elas deem certo.
  9. São os diretores que têm de fazer com que essas mudanças funcionem. Eles inventaram esse plano. Agora vamos ver se conseguem colocá-lo em prática.
  10. Eles não sabem o que estão fazendo. Se nos perguntassem, a gente poderia dizer o que é preciso fazer.
  11. As mudanças não eram realmente necessárias. Por que é que eles não conseguem deixar sossegado o que está indo bem? Eu não entendo.

Realidade

  1. A mudança chegou para ficar. O mais provável é que nada será como antes na empresa. A poeira deve baixar, mas vai assentar de uma forma diferente.
  2. Controlar as emoções aumenta seu domínio sobre a situação. Frustração ou ressentimento não trazem benefício. Se sua atitude for positiva, você leva créditos.
  3. O progresso muitas vezes se disfarça de problema. Procure pela oportunidade pelo lado bom. Se ela não estiver aparente, continue procurando. Se ainda assim não descobrir a oportunidade, mexa-se e crie uma.
  4. Se a organização está mudando, provavelmente você também tem de mudar. Examine sua rotina e veja se não está fora do novo ritmo. Se você estiver fora, pode estar se metendo em confusão.
  5. Os problemas são um efeito colateral normal do processo de mudança. Mas isso não prova que ela seja uma má ideia. Só mostra que algo significativo está ocorrendo.
  6. É provável que a diretoria esteja sendo tão aberta e honesta quanto a situação permite. Se você não for capaz de obter as respostas que deseja, talvez seja porque os diretores também não as conheçam.
  7. Os dirigentes têm de tomar algumas decisões duras e é impossível agradar a todos. Isso não significa que eles sejam insensíveis ou malvados. Se você fosse o responsável, enfrentaria o mesmo dilema.
  8. Das duas, uma: ou você faz parte da solução ou faz parte do problema. Não aja como se fosse incapaz. Teste o limite da sua efetividade pessoal.
  9. Se você trabalha aqui, o plano é seu. A alta administração é responsável por traçar a estratégia geral do jogo. O que se espera de você é que execute as jogadas e faça com que deem certo.
  10. Os diretores têm uma boa ideia do que estão fazendo, mas não podem evitar todos os problemas e erros. Mudanças são assim mesmo. O pior erro seria ficar esperando até que tudo pudesse ser feito com perfeição.
  11. O necessário, agora, é fazer com que as mudanças funcionem. A organização não precisa de “técnicos de segunda-feira”. Precisa de bons jogadores.

Fonte: Revista Exame.

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